2007/07/10
Parlamento Europeu votou em Estrasburgo um pequeno adiamento da liberalização total dos Serviços Postais Europeus
Desapontados com os 512 votos (votos do Grupo PPE/DE e de parte substancial do Grupo PSE) a favor da proposta Ferber e louvando a posição dos 156 Deputados Europeus (GUE-NGL, Verdes e 38 Deputados do PSE) que votaram contra a liberalização total dos Serviços Postais Europeus assim era o panorama entre as centenas de sindicalistas postais europeus que se manifestaram em Estrasburgo no passado dia 10 de Julho. “Sim aos serviços públicos” foi a palavra de ordem que mais se ouviu da boca das centenas de manifestantes que, debaixo de uma chuva intensa e fora de época, se encontravam junto da “torre” redonda que alberga o Parlamento Europeu em Estrasburgo. O SNTCT também ali esteve representado naquela manifestação que tinha como fim incitar os Deputados Europeus a votarem contra a liberalização total dos Serviços Postais Europeus e, logo, a favor dos direitos dos cidadãos, da protecção do Serviço Postal Universal e da defesa dos postos de trabalho nos operadores postais Europeus. Uma pequena delegação da UNI foi autorizada a entrar no Parlamento para junto dos líderes parlamentares Europeus se oporem quer à liberalização total quer à emenda aceite pela Comissão de Transportes do Parlamento Europeu (proposta Ferber). De acordo com as palavras de John Perdersen esteve Francis Wurtz o Presidente do Grupo GUE-NGL (Grupo Confederal da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde) - na foto ao centro entre John Pedersen e Bernardette Ségol) em estão integrados os Deputados do Parlamento Europeu do PCP e do BE. Ao ouvir de John Perdersen “Rejeitamos ambas a propostas” e “a emenda (a Proposta Ferber) apenas adia a dor, não altera nenhuma das questões fundamentais” Francis Wurts limitou-se a afirmar que essa era também a posição do GUE-NGL que apresentou novamente ao PE uma proposta de rejeição da Directiva Postal Proposta pela Comissão Europeia. Às palavras de Francis Wurtz reagiu Bernardette Ségol, a Secretária Europeia da UNI, que também integrava a delegação quando lhe afirmou “Concordamos consigo que a liberalização postal aumentará o descrédito dos cidadãos Europeus em relação às instituições Europeias” “ a liberalização total não é boa – nem para os cidadãos nem para os trabalhadores. Há pessoas na Comissão que estão cegas em relação ao que se passa no mundo do trabalho. Não desistiremos e levaremos essa mensagem aos governos.”. No SNTCT já conhecíamos a posição do GUE-NGL em relação a esta matéria. Tal aconteceu através de uma carta recebida de Ilda Figueiredo, Deputada do PCP ao Parlamento Europeu, em resposta a uma solicitação que, também nesse sentido, lhe dirigimos aquando da votação da proposta Ferber na Comissão de Transportes do PE. A dor a que se referia John Pedersen; o assegurar do serviço postal a todos os cidadãos - sobretudo aos que vivem em espaços rurais, montanhosos e insulares – a preços acessíveis, passa para os governos nacionais que, a não ser alterada a situação, terão de fazê-lo com o dinheiro dos contribuintes e sujeitos à contenção da despesa pública imposta pelo pacto de estabilidade da Zona Euro. Quanto ao emprego no Sector Postal Europeu alguns números a referir: O Sector Postal Europeu representa cerca de 5 milhões de postos de trabalho na Europa, desde que em 1997 se iniciou o processo de liberalização perderam-se cerca de 500.000 posto de trabalho nos operadores públicos dos quais, por cada 10 perdidos, só se recuperaram 1,5 nos chamados “novos operadores”, neste momento estão em risco 33.000 postos de trabalho nos Correios Alemães e a Suécia perdeu metade dos postos de trabalho no operador postal tradicional depois da liberalização total já em vigor naquele país. “Estamos desapontados mas a nossa campanha “Salvem os nossos Correios” irá agora incitar os Governos a estabelecerem melhores salvaguardas…”, “… a Europa deve proteger os Serviços Públicos chave e o trabalho decente e não somente satisfazer o mercado livre neo-liberal. Se os Serviços Postais forem destruídos tal alienará ainda mais os cidadãos Europeus de Bruxelas e custará dezenas de milhar de postos de postos de trabalho de qualidade…” afirmou ainda John Pedersen o responsável pelo Sector Postal e Logística da UNI. Elucidativas da vontade dos manifestantes foram as palavras de Bernard Dupin da CGT França quando afirmou “Nós não descansaremos – Serviços Públicos sim, privatização não!”.
A LUTA CONTRA A LIBERALIZAÇÃO TOTAL DOS SERVIÇOS POSTAIS NÃO ACABOU EM ESTRASBURGO. JÁ ESTÁ EM MARCHA A SUA CONTINUAÇÃO. A LUTA CONTINUA!
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